O Brasil deu um passo decisivo rumo à descarbonização do setor de gás com a criação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, um movimento que reposiciona o país no mapa dos gases renováveis. Instituído pela Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), em outubro de 2024, e regulamentado pelo Decreto 12.614/2025, em setembro de 2025, o programa de incentivo ao biometano estabelece um novo marco regulatório para o mercado. A partir de 1º de janeiro de 2026 entram em vigor as metas obrigatórias, que passam a impactar diretamente produtores, importadores, comercializadores e toda a cadeia de infraestrutura associada ao gás. Estamos falando de um dos movimentos mais relevantes da transição energética brasileira dos últimos anos.
Além de impulsionar a transição energética, o programa de incentivo ao biometano abre uma janela concreta de oportunidades para o setor de gás. Ele estimula investimentos, cria demanda por novas soluções técnicas e movimenta bilhões em projetos de produção, certificação, transporte e uso do biometano.
É nesse contexto que a Gas Futuro se posiciona como uma empresa atenta às transformações do mercado e preparada para atender à nova demanda por infraestrutura de compressão, essencial para viabilizar o crescimento do biometano no país. Se você atua no setor de gás e quer entender como o programa de incentivo ao biometano funciona, quem são os agentes obrigados, o papel dos certificados CGOB e o que muda na prática a partir de 2026, vale a pena seguir a leitura do texto completo.
O que é o Programa Nacional de Incentivo ao Biometano
O Programa Nacional de Incentivo ao Biometano é um instrumento de política energética criado para estimular a pesquisa, produção, comercialização e uso do biometano e do biogás na matriz energética brasileira, com foco direto na descarbonização do setor de gás natural. Na prática, o programa de incentivo ao biometano busca acelerar a substituição gradual de combustíveis fósseis por gases renováveis, criando um ambiente regulatório que favorece investimentos, inovação tecnológica e o crescimento sustentável da cadeia.
O funcionamento do programa de incentivo ao biometano se baseia em metas anuais compulsórias de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) que devem ser cumpridas por produtores e importadores de gás natural. A meta inicial prevista para 2026 é de 1% de redução, com possibilidade de chegar a até 10% nos anos seguintes, conforme a evolução do mercado. Cabe ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) definir esses percentuais anualmente, ajustando o ritmo do programa à maturidade do setor e às condições da matriz energética brasileira.
Base Legal: Lei do Combustível do Futuro e Decreto Regulamentador
A base legal do programa de incentivo ao biometano está consolidada na Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), sancionada em outubro de 2024 após aprovação pelo Congresso Nacional e pelo presidente da República. Essa lei não só criou o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, como também instituiu o Programa Nacional de Diesel Verde e o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), ampliando o escopo das políticas públicas de baixo carbono para diferentes segmentos da matriz energética brasileira.
O Decreto 12.614/2025, publicado em setembro de 2025, regulamenta a Lei 14.993/2024 e traz os detalhes operacionais que tornam efetivo o programa de incentivo ao biometano. Nele estão previstas as definições sobre metas, o papel dos agentes reguladores e os mecanismos de implementação, incluindo as regras sobre a emissão de certificados e a forma de cumprimento das metas de redução de gases de efeito estufa. Esse decreto é essencial para transformar a política em ação prática no mercado de gás.
Como funcionam os certificados de garantia de origem de Biometano (CGOB)
Os Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOB) são o mecanismo que viabiliza, na prática, o programa de incentivo ao biometano. Eles permitem que o produtor comercialize duas coisas separadamente: a molécula física do biometano e o atributo ambiental associado à sua produção renovável, representado pelo certificado. Isso significa que uma empresa pode comprar CGOB para cumprir suas metas de descarbonização mesmo sem consumir fisicamente o biometano, o que traz liquidez, escala e flexibilidade para o mercado.
Outro ponto importante é que não existe obrigatoriedade de injeção do biometano na rede de gasodutos para a emissão dos CGOB, o que amplia significativamente as possibilidades de projetos, inclusive em regiões fora da malha de transporte. Assim, o programa de incentivo ao biometano se torna mais acessível para diferentes perfis de produtores. Já para os agentes obrigados, o recado é claro: o não cumprimento das metas estabelecidas pelo programa pode resultar em multas que variam de R$ 100 mil a R$ 50 milhões, reforçando a importância de planejamento, estruturação e monitoramento desde já.
Isto pode ser útil: Gas Futuro e o futuro do combustível de hidrogênio no Brasil
Objetivos estratégicos do programa de incentivo ao Biometano
O programa de incentivo ao biometano foi desenhado para ir muito além de uma simples política ambiental. Ele funciona como um instrumento econômico, industrial e climático que conecta transição energética, desenvolvimento de mercado e valorização de ativos ambientais, criando um novo ciclo de oportunidades para o setor de gás no Brasil.
Principais objetivos estratégicos do programa:
- Promover a descarbonização do setor de gás natural, reduzindo progressivamente as emissões associadas ao consumo de combustíveis fósseis.
- Criar um mercado estruturado de biometano no Brasil, com regras claras, previsibilidade regulatória e mecanismos que favorecem escala e liquidez.
- Gerar receitas adicionais para produtores de biometano, por meio da comercialização dos certificados ambientais (CGOB), aumentando a atratividade econômica dos projetos.
- Contribuir para o cumprimento dos compromissos climáticos internacionais do Brasil, alinhando o setor energético às metas de redução de emissões assumidas pelo país.
- Aproveitar o potencial nacional de geração de biogás e biometano a partir de resíduos urbanos, agrícolas e agroindustriais, transformando passivos ambientais em ativos energéticos.
No conjunto, o programa de incentivo ao biometano cria um ambiente onde sustentabilidade, eficiência econômica e inovação caminham juntas, posicionando o Brasil como um dos mercados mais promissores de gases renováveis da América Latina e abrindo espaço para uma nova geração de projetos, tecnologias e modelos de negócio no setor.
O início das obrigações: O que acontece em janeiro de 2026
O programa de incentivo ao biometano entra oficialmente em sua fase obrigatória em 1º de janeiro de 2026, data a partir da qual produtores e importadores de gás natural passam a ter que cumprir as metas compulsórias de redução de emissões. A meta inicial será de 1%, um percentual considerado conservador e intencionalmente gradual, justamente para permitir que o mercado se organize, que novos projetos entrem em operação e que a infraestrutura necessária seja construída de forma segura e previsível.
A partir daí, o percentual pode ser ajustado anualmente pelo CNPE, que levará em conta fatores como a disponibilidade de biometano, a capacidade da infraestrutura existente e o impacto econômico sobre o setor. Em situações excepcionais, o próprio programa de incentivo ao biometano permite que essa meta seja reduzida para menos de 1%, quando houver interesse público relevante ou quando o volume de produção não for suficiente para viabilizar o cumprimento das obrigações sem gerar distorções no mercado.
Esteja preparado a partir de 2026: Conte com a Gas Futuro, o seu parceiro no Programa Nacional de Incentivo ao Biometano
O programa de incentivo ao biometano representa uma das maiores oportunidades do setor energético brasileiro nas próximas décadas. Com metas obrigatórias a partir de janeiro de 2026, o tempo para se preparar já começou a correr para produtores de gás natural, produtores de biometano, investidores e fornecedores de infraestrutura. O programa cria segurança jurídica por meio de uma regulamentação clara, estrutura um mercado previsível com os certificados CGOB e posiciona o Brasil como um protagonista relevante na transição energética global.
Nesse cenário, a Gas Futuro acompanha de perto cada etapa do programa de incentivo ao biometano e se prepara para apoiar o crescimento desse mercado com soluções de compressão adequadas às novas demandas do biometano. Se esse tema faz parte da sua estratégia para os próximos anos, vale a pena conversar com quem já está olhando para 2026 e além. A Gas Futuro está pronta para ser sua parceira nessa nova fase do setor de gás.


